Sobre dietas, restrições e a minha contribuição para um mundo melhor!

Eu tenho passado grande parte dos meus dias ultimamente pensando num programa de mudança sustentável que estou desenvolvendo baseado na minha história, no que funcionou para mim e nos passos que dei. E para isso tenho voltado muito há 4 anos atrás quando decidi fazer algo diferente na minha vida, quando decidi mudar a estratégia para ter resultados diferentes. E no final das contas uma estratégia diferente abriu porta para a outra e elas se transformaram num estilo de vida.

Revisitando esses primeiros passos me deparei com uma questão semântica, uma definição que pode ser meio controversa: a tal da dieta restritiva. Depois do meu último texto, que você pode ler aqui, algumas pessoas vieram me perguntar sobre a minha alimentação e sobre o conceito de dieta restritiva. Eu entendo que conceitos e definições podem ser muito pessoais e causar mesmo um ruído na comunicação. Eu trabalho com comunicação, sei que tudo pode causar ruído! Então decidi escrever sobre isso, para falar sobre o meu conceito de dieta restritiva. Aquele que senti no meu corpo e na minha mente durante 20 anos da minha vida. Como era antes e como vivo agora. E o que isso tem a ver com um mundo melhor.

Como diz Brene Brown no livro dela, A Arte da Imperfeição, que aliás recomendo demais, “Eu sei que definições geram controvérsia e desacordo, mas isso não me perturba. Prefiro debater o significado de palavras que são importantes para nós do que não discuti-las. Precisamos de uma linguagem comum que nos ajude a criar consciência e compreensão, algo essencial à Vida Plena.”. Então é isso que farei aqui: darei a minha definição e continuarei a partir daí.

O que eu entendo (e senti durante anos e anos) como dieta restritiva é o fato de deliberadamente (intencionalmente, de propósito mesmo) comer menos (cortar ou reduzir grupos alimentares) com o intuito de emagrecer. É também a definição da neurocientista Sandra Aamodt no livro dela. O livro ainda não existe em português, mas esse vídeo da neurocientista Cláudia Feitosa-Santana traz informações parecidas. Além disso, vou acrescentar outra camada nessa definição, que é minha e está relacionada com a minha experiência: dieta restritiva para mim, além de cortar ou reduzir, envolve sentir que estamos lutando contra a gente mesmo, com sofrimento, culpa, ansiedade e vontade enorme de comer o que estamos nos proibindo e rotulando como errado. Então, dieta restritiva é também ficar resistindo à tentação e à vontade de dizer sim para algum tipo de comida (seja ela real, viva, natural ou inventada, industrializada, empacotada, enlatada). Para mim, dieta restritiva é restrição, escassez e prisão. Do corpo, da mente e da alma. Foi isso que senti durante 20 anos, então essa é a definição que ofereço aqui.

Muitas pessoas conhecem a palavra dieta como significado de alimentação, o que comemos no dia-a-dia. Sim, esse significado é possível, mas não é o que estou falando aqui. A palavra dieta, para mim, tem uma conotação ruim, então prefiro chamar o que como no dia-a-dia de plano alimentar, ou alimentação. Dieta está ligada, na minha cabeça, ao que mencionei aí em cima: restrição, proibição e escassez.

Outra coisa que acho importante mencionar é que eu sempre quis viver um estilo de vida em paz e focado numa alimentação natural – cozinhar mais e consumir alimentos vivos, cheios de energia e saúde. Essa sempre foi a minha vontade, porque eu acho que cuidando de mim e da minha saúde em todos os níveis do meu ser, eu consigo contribuir para um mundo melhor. E eu queria fazer isso em paz, sabe? Com vontade de comer esse tipo de alimento, porque aí sim eu seria livre! Se eu escolhesse e tivesse vontade de cuidar de mim também no nível do alimento para que eu pudesse viver uma vida mais rica, mais equilibrada, mais saudável em todos os níveis do meu sistema, aí sim eu seria verdadeiramente livre.

Eu acho que liberdade é querer fazer o que devo fazer para chegar onde quero. Essa é a melhor definição de liberdade para mim. 

Querer comer de forma que eu tivesse mais vitalidade, energia e saúde era, e sempre será, meu objetivo. Eu tenho uma meta de vida, a maior de todas: eu quero viver até os 120 anos bem, saudável e contribuindo para um mundo melhor e mais abundante. Quero ajudar pessoas a se libertarem e se expressarem de maneira mais autêntica para que elas deixem sua singularidade de presente ao mundo e para que elas construam e contribuam para o nosso planeta. Para isso acontecer eu preciso cuidar de mim, e para cuidar de mim eu preciso querer cuidar de mim (porque fazer na força de vontade não é sustentável!!) e preciso me amar profundamente. E me amar profundamente significa, para mim, me respeitar, me conhecer, me valorizar, me aceitar em toda minha imperfeição, e me alimentar com amor e carinho. E acima de tudo ser autêntica e conhecer profundamente meus diferenciais para que eu possa contribuir. O que entra para dentro do meu sistema, o “combustível que coloco no meu carro” precisa ser limpo, e não “adulterado”, para que eu tenha a energia e saúde necessárias para “continuar rodando”. Faz sentido?

Uma coisa é importante deixar claro: a minha mudança não foi em alimentação em primeiro lugar. A mudança na alimentação foi consequência de uma mudança muito mais profunda – a de mentalidade e de identidade. Quem eu era, como pensava e qual meu relacionamento com o alimento. O que veio depois (o novo relacionamento com a comida, o estilo de vida e os 50kg emagrecidos) foi consequência de um trabalho profundo dentro de mim! Descobertas intensas, às vezes muito doloridas, que me levaram de volta à mim. Foi quando decidi assumir e conhecer quem verdadeiramente era que tudo começou a mudar.

É por isso que não considero a maneira com que escolho comer hoje como dieta restritiva. Não faz sentido na minha cabeça, porque não corto nem reduzo nenhum grupo alimentar (comida de verdade!!) e nem sofro morrendo de vontade de comer os industrializados que antes eram constantes na minha vida. Não como porque não quero mesmo. Tenho vontade de comer os alimentos que como hoje e escuto meu corpo profundamente. Para quem passou 20 anos escrava da comida e do pensamento exaustivo de querer comer, mas “não poder”, isso que vivo hoje é libertação total e absoluta. É paz e felicidade. Não troco por nada do mundo, porque finalmente sinto que me encontrei e me encontro a cada dia que se passa. Era uma consequência natural na minha cabeça: eu me descobri para me amar e cuidar de mim melhor.

E a minha vontade maior, a minha contribuição para esse mundo, é de mais saúde e mais propósito para todos, porque aí podemos identificar nossas qualidades e singularidades para contribuir com um mundo mais abundante e melhor. A gente vive nesse planeta, portanto a nossa contribuição pode ser global! E para isso, precisamos estar saudáveis em todos os níveis do nosso sistema, precisamos de bem-estar mental, físico, emocional e espiritual. Porque aí sim deixaremos nossa contribuição de maneira clara e com propósito. E tudo isso começa com um primeiro passo, um passo pequeno e extremamente relevante, a libertação da escassez e da prisão imaginária imposta por muitos de nós a nós mesmos. Precisamos nos libertar para crescer, contribuir e mudar!

Vai muito muito mais além do alimento! É bem-estar sistêmico, é amor, é saúde, é contribuição, é construção de um mundo onde podemos viver mais plenos e mais autênticos, com menos foco em escassez e muito mais abundância. É libertação, é valorização, é aceitação, é incluir – não excluir. É uma revolução global e começa aqui, dentro da gente. O que vem como consequência disso, acredite em mim, é transformador.

Liberte-se. Cuide-se.

Descubra-se.

Comentários

comentarios