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No final das contas

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“Eu ainda estou para conhecer uma única cliente que não retire seu véu, ou ultrapasse sua cortina de fumaça, e descubra que, no final das contas, é realmente amor que ela está buscando (mesmo quando ela talvez já tenha uma vida repleta dele).”

-Dra Libby Weaver

Escrevo esse texto com lágrimas nos olhos e coração apertado, de um lugar de insegurança, vulnerabilidade e muito amor. Há um pouco mais de 13 anos atrás eu era daquelas pessoas que achava que animais de estimação eram perda de tempo, estresse desnecessário e falta de liberdade (ainda mais se fosse um gato de quem, culturalmente, aprendi ter receio e desconfiança). Apesar de achar lindos esses bichinhos, não queria um para mim.

Até o dia que meu marido começou a falar em adotar um gatinho. Eu, no começo, resisti fortemente à ideia. Como assim ter um bicho estranho que pode me atacar a qualquer momento? Eu não fazia a menor ideia de toda a jornada de transformação e aprendizagem que me aguardava pela frente.

Foi no dia dos namorados em 2005 que a Kira chegou na minha sala de aula num cantinho de Belo Horizonte. Foi surpresa do marido, mas ela não foi escolhida, ela que o escolheu. Subiu no colo, ficou querendo carinho e a gente era dela, não tinha muito jeito. 2 meses de pura fofura e amor à primeira vista. Quando ele chegou segurando aquela bolinha de pelo no colo, ela já tinha me ganhado antes mesmo de me conhecer.

Ter um gatinho em casa é quebrar mil paradigmas ao mesmo tempo. Sim, ela gosta do espaço dela, mas a Kira sempre foi manhosa, sempre fez charme quando a gente falava com ela e sempre quis colo. Ela, desde sempre e com muita paciência, contrariava todas os meus pré-conceitos e me ensinava, por mais clichê que possa parecer, uma nova forma de amar.

13 anos se passaram e as histórias são muitas. A Kira é até conhecida no YouTube simplesmente por ser. 13 anos e eu nunca imaginaria que chegasse até aqui, revendo e revivendo. Há 1 mês e meio atrás descobrimos que a Kira estava com câncer, completamente tomada de tumores e com várias complicações que não dão para ela um bom prognóstico. Há 2 meses atrás a Kira duplicou a dose de amor, carinho, colo e presença nos nossos dias. Foi quase como se ela estivesse preparando para se despedir da gente da forma mais relevante possível: nos lembrando que, no final das contas, tudo que realmente importa, e que no fundo buscamos e fica com a gente, é o amor.

Para ela não importa a casa que temos, o carro que temos, a carreira de empreendedores (bem-sucedidos ou não), os likes no Instagram, o dinheiro, as viagens, o tipo de corpo, a imagem ou o sucesso. Ela sabe muito bem que isso não traz o que ela (e a gente) busca. O que realmente importa é o que ela tem nos dado e permitido por 13 anos e intensificado nos últimos dois meses: amor. Importa olhar com carinho, estar presente, ficar no colo e pedir aconchego. É piscar devagarinho (uma forma dos gatinhos demonstrarem afeto) quando falamos manso com ela. É estar 100% ali e receber o que 100% de nós buscamos.

E não importa o que aconteça, o amor vai estar sempre lá na sua forma mais pura: incondicional, sem julgamentos. Não importa se estamos estressados, tristes, com raiva ou preocupados. O amor está lá para qualquer momento que escolhermos estar presente. E ela é um constante e maravilhoso lembrete disso.

E nesse último mês e meio que descobrimos tudo isso, uma coisa me vem à mente muito constantemente: é importante e precioso demais ESCOLHER estar PRESENTE. Porque todas as vezes que estive na “correria” ou impaciente não me permiti dar e receber amor. Todas essas vezes eu perdi uma chance de sentir o que existe de mais puro e forte nela e em mim. Todas essas vezes eu perdi um momento de me reenergizar e conectar comigo mesma através do sentimento que, no final das contas mesmo, é o que todos nós perseguimos sem saber que já temos.

E muitas vezes não sabemos simplesmente porque não nos permitimos sentir e estar presentes. Porque o amor está lá, te chamando, pedindo nem que sejam 30 segundos do seu dia de 100% de atenção plena e presença. O AMOR ESTÁ AQUI e AÍ, é só a gente querer, conscientemente e atentamente, experimentar.

E um dia depois da cirurgia da Kira as únicas coisas que consigo pensar são o tanto que ela, sem cobranças e sem querer, me ensinou a me abrir para o amor de uma forma completamente diferente, e o tanto que quero me dar todas as oportunidades de sentir esse amor para sempre, seja de onde ele vier. Já comecei a fazer isso com mais frequência há um ano. De parar, observar e estar presente para receber e experimentar esse amor. Foi há um ano atrás que (conscientemente) acordei para isso e espero que a Kira também te ensine que 1 ano em 13 quer dizer que muitas chances de amor foram “perdidas” (de serem vivenciadas inteiramente), mas que nunca é tarde para viver todas as outras.

A Kira volta para casa hoje ou amanhã, ainda não sabemos. E também não sabemos como será a recuperação daqui para frente. A situação dela é delicada e imprevisível. E por isso meu coração está pequenininho, porque não sei se ela volta para mim como era, se ela recupera e me dá mais algumas chances de viver esses momentos de carinho e amor com ela e comigo, não sei o que vai acontecer. E, de novo, por mais clichê que possa parecer, este último mês eu agradeci imensamente por tudo que ela me ensinou, pela pessoa melhor que sou hoje por causa dela (e que nem sonharia em ser há 13 anos atrás) e pela maneira tão generosa e incondicional que ela escolhe nos ensinar sobre o amor.

E para todos nós eu desejo que fique sempre o aprendizado: não espere até o final para se dar o presente de estar presente e conectar com o amor. Seja através dos bichinhos ou das pessoas na sua vida. O amor é um sentimento que cura, ensina, energiza e está inteiramente dentro da gente. E se olharmos ao nosso redor com atenção, perceberemos que temos sim muitas oportunidades durante o dia de vivenciar este amor. Mas é muito importante saber que esses são momentos tímidos e pequenos (não vem com placa de neon avisando da “oportunidade de amar”), portanto é preciso estar atento para aproveitá-los.

Porque, no final das contas, o que lembrarei mesmo são desses pequenos momentos de amor incondicional vividos em sua plenitude. E no final das contas ficarei extremamente feliz por ter percebido e me permitido parar e estar presente, e finalmente entenderei que tudo que buscava estava ali bem na minha frente e bem dentro de mim o tempo inteiro.

E ficarei sempre profundamente grata pelo aprendizado que a Kira me trouxe, e por todo amor compartilhado e presenciado.

É isso que conta no final.

II Workshop de Emagrecimento Sistêmico Sustentável

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ATENÇÃO: esse workshop será beneficente em prol do Dia Mundial de Combate ao Câncer, portanto a ENTRADA será 1 QUILO de ALIMENTO não perecível
 

Garanta sua vaga aqui!

 

Sobre o workshop:

Depois de uma longa jornada em busca do emagrecimento e saúde sistêmica sustentável, consegui quebrar o ciclo de mais de 20 anos de dietas proibitivas e efeito sanfona e gerar na minha vida um emagrecimento de 50kg de forma natural, saudável e sustentável, que já mantenho há 2 anos.

Para isso e por isso estudei muito, me desenvolvi e consegui gerar (e manter) essa mudança de dentro para fora. Resolvi, depois de tudo isso, desenvolver e oferecer esse WORKSHOP BENEFICENTE* para compartilhar algumas ferramentas de desenvolvimento pessoal que considerei muito relevantes para mim e que podem despertar a reflexão mais profunda sobre o tema.

O meu objetivo é promover um diálogo diferente sobre mudança sustentável e sistêmica para compreendermos e sentirmos na prática que a mudança real não está apenas em estratégias externas, ela começa quando entendemos e nos aproximamos mais de quem somos e como funcionamos.

Vamos experimentar na prática algumas ferramentas e falarei também sobre os próximos passos que você pode dar na sua jornada para conseguir chegar onde quer.

Se você está buscando mudar e sustentar a mudança na sua vida, esse pode ser um primeiro passo importante. Te espero lá!

Vagas limitadas.


APOIO: 
Armazém e Empório Du Carmo (@emporioducarmo)

Me encontre nas redes sociais:

Esse workshop será em prol do Dia Mundial de Combate ao Câncer e os alimentos arrecadados serão doados para a Casa Aura – Casa de apoio a crianças e adolescentes com câncer. Você poderá acompanhar as doações e saber mais sobre a ONG na semana seguinte desse workshop nas minhas redes sociais.

Alta performance, produtividade e a vida perfeita

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Eu queria que esse texto fosse um daqueles altamente bem escritos que defenderia uma teoria a favor da alta performance e da produtividade perfeita e que, no final, você saísse daqui convencido que essa é a melhor solução para sua vida. Mas não é. O máximo que você vai tirar daqui são alguns insights enquanto lê sobre uma dessas vidas reais de verdade, sabe? Aquela sem glamour mesmo, bem diferente do instagram.

O termo da vez é alta performance. Pelo menos na minha área de atuação e nas pesquisas altamente tendenciosas e filtradas que o Google faz por mim. Aliás, não se engane, o Google não é neutro. Vivemos numa bolha onde o viés confirmatório é o que mais te deixa satisfeito durante suas pesquisas. Ou seja, você encontra por aí justamente o que procura – produtos e recomendações e opiniões à favor das suas crenças – e não porque a internet tem de tudo, mas porque os algorítimos aprendem quem você é e o que prefere antes mesmo de você ter a chance de fazer isso. Autoconhecimento vem depois do Google no dicionário da vida moderna.

Mas nem era sobre isso que queria falar. Voltemos ao termo da vez: alta performance. Seguido do queridinho de todo mundo (ou do mais odiado de todos, depende do ponto de vista): produtividade. Num mundo onde o Instagram é um forte competidor pela sua atenção – são 50 milhões de usuários só no Brasil, de acordo com a Folha – a consequência da comparação com a narrativa de alta performance, produtividade e perfeição que criamos da vida alheia pode ser devastadora. Calma, eu explico.

São 4h da manhã. Eu normalmente acordo antes do celular vibrar do meu lado e me mostrar a qualidade do meu sono naquela noite. Depois de uma rápida análise de humor, eu fecho o aplicativo e me questiono se deveria abrir o Instagram. Na maioria das vezes devolvo esse tempo e atenção para mim, desligo o celular, levanto da cama e vou cuidar da minha vida. Mas algumas vezes, algumas vezes eu abro o Instagram. O aplicativo do glamour, como eu costumo chamar, ou da infelicidade, como diz Manoush Zomorodi, no TED incrível sobre tédio e aplicativos que roubam sua atenção, tempo e felicidade.

O mundo some enquanto estamos navegando por vidas alheias. Um Big Brother virtual de comparações, julgamentos, invejas e desejos. Uma vida perfeita. Cheia de glamour, alta performance e produtividade. Felicidade que parece inconquistável e beleza infinita. Onde moram essas pessoas?! Seleciono uma pessoa que conheço e clico no stories dela que aparece brilhante na minha frente como se fosse inocente. É tudo, menos isso. O meu cérebro então se prepara para fazer duas coisas: construir uma narrativa fictícia baseada na amostra e perspectiva limitadíssimas que tenho da vida daquela pessoa e me comparar com essa narrativa perfeita que interpreto ser a vida do outro. Começa então um diálogo interno que demoro alguns minutos para tomar consciência que está acontecendo. E com ele todos os sentimentos menos agradáveis do mundo.

Meus olhos: Olha esse home-office decorado como se tivesse saído de revista de design!
Meu cérebro: Pois é, o seu não é assim. Como você acha que pode crescer profissionalmente sem um home office lindo desses? Produtividade então, nem pensar, né?

Meus olhos: Olha esse gato, gente, parece de plástico!
Meu cérebro: Pois é, a sua gata pode ser linda e maravilhosa, mas olha a quantidade de pelo de gato nas suas roupas! Essa pessoa não tem pelo de gato nas roupas dela! Olha a elegância, o glamour, olha como ela é chique, arrumada, bem sucedida. E você, hein, como vai a sua vida?

Meus olhos: Clientes, oportunidades de trabalho, construção de carreira.
Meu cérebro: Olha só como ela está lotada de clientes, que sucesso! A vida profissional deslanchando numa facilidade que só quem não tem pelo de gato em roupa poderia ter. Olha as oportunidades de carreira que ela está tendo! Ela não tem problemas. E você, hein? Vai superar seus problemas quando? Será que você está na área certa? Será que tem alguma coisa para contribuir mesmo?

10 minutos se passam até eu conseguir perceber o que estava acontecendo. Me pego, às 4h15 da manhã, me comparando com uma pessoa qualquer que decidiu compartilhar umas fotos num aplicativo desenvolvido justamente para chamar minha atenção. No começo do dia, as primeiras sensações que experimentei foram de tristeza e insatisfação com a minha vida. Olha que perigo isso!! Olha o tom que inconscientemente estou dando para o meu dia. Eu escolhi, sem nem perceber, sentimentos que não me levariam onde quero chegar, não me elevariam e não me trariam motivação e determinação, muito pelo contrário. Eu escolhi abrir mão de mim, por uns minutinhos que fossem e passar o outro na frente. Eu escolhi acreditar numa narrativa construída na minha cabeça sobre a vida do outro, onde tudo é perfeito, e me comparar com aquela irrealidade. Eu doei 10 minutos do meu dia para me sentir mal. Esquisito isso, não?

E eu me questiono, na sobriedade dos momentos em que paro para pensar em mim e na minha vida, quais tipos de escolhas essas mensagens e sentimentos que ficam rondando no meu inconsciente durante o dia me levam a tomar. O que faço baseado no que sinto e nem sei que estou sentindo? As atitudes que tomo levam em consideração a minha autenticidade e o que eu quero para a minha vida ou são baseadas na visão de mundo do outro, nos parâmetros loucos de perfeição que estabeleci olhando para a história que inventei da vida daquela pessoa num aplicativo de celular? Que loucura isso!

São em momentos sóbrios como esse, quando estou conectada comigo mesma e com meus valores mais profundos, quando a vida faz sentido para mim, que redescubro a minha definição de alta performance e produtividade. Alta performance para mim tem a ver com me amparar, reconhecer e conhecer. Tem a ver com me respeitar: horários, sono, vontades, crenças, fortalezas e fraquezas. Tem a ver com estar vulnerável e entender que é absolutamente normal estar assim – e que é melhor fazer as pazes com essa vulnerabilidade do que me isolar do mundo cheia de vergonha de quem sou. (Obrigada, Brene Brown, pelo trabalho que mudou minha vida!) E acima de tudo, alta performance tem a ver com autenticidade, ser quem verdadeiramente sou e aproveitar cada segundo dessa vida. Seja cuidando de mim em todas as áreas, construindo um futuro melhor, trabalhando para contribuir com minha singularidade para o mundo ou decidindo desligar de tudo e relaxar. E talvez a minha melhor definição de produtividade é me esforçar para fazer toda essa alta performance acontecer!

Talvez a vida plena seja isso, sabe? Deixar a perfeição de lado para abraçarmos tudo que somos na nossa maravilhosa imperfeição. Nos jogarmos na arena da vida para lutar quando for preciso e saber sofrer para elevar as pessoas à nossa volta e nós mesmos. Talvez alta performance e produtividade sejam isso: uma mão estendida para nos ajudar e uma narrativa sincera sobre tudo que verdadeiramente somos. Tirar a máscara, a coberta e dar o grito de liberdade e autenticidade mais alto que conseguirmos.

Ah! E não abrir o Instagram logo no começo do dia. Essa parte é bem importante.

Sobre dietas, restrições e a minha contribuição para um mundo melhor!

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Eu tenho passado grande parte dos meus dias ultimamente pensando num programa de mudança sustentável que estou desenvolvendo baseado na minha história, no que funcionou para mim e nos passos que dei. E para isso tenho voltado muito há 4 anos atrás quando decidi fazer algo diferente na minha vida, quando decidi mudar a estratégia para ter resultados diferentes. E no final das contas uma estratégia diferente abriu porta para a outra e elas se transformaram num estilo de vida.

Revisitando esses primeiros passos me deparei com uma questão semântica, uma definição que pode ser meio controversa: a tal da dieta restritiva. Depois do meu último texto, que você pode ler aqui, algumas pessoas vieram me perguntar sobre a minha alimentação e sobre o conceito de dieta restritiva. Eu entendo que conceitos e definições podem ser muito pessoais e causar mesmo um ruído na comunicação. Eu trabalho com comunicação, sei que tudo pode causar ruído! Então decidi escrever sobre isso, para falar sobre o meu conceito de dieta restritiva. Aquele que senti no meu corpo e na minha mente durante 20 anos da minha vida. Como era antes e como vivo agora. E o que isso tem a ver com um mundo melhor.

Como diz Brene Brown no livro dela, A Arte da Imperfeição, que aliás recomendo demais, “Eu sei que definições geram controvérsia e desacordo, mas isso não me perturba. Prefiro debater o significado de palavras que são importantes para nós do que não discuti-las. Precisamos de uma linguagem comum que nos ajude a criar consciência e compreensão, algo essencial à Vida Plena.”. Então é isso que farei aqui: darei a minha definição e continuarei a partir daí.

O que eu entendo (e senti durante anos e anos) como dieta restritiva é o fato de deliberadamente (intencionalmente, de propósito mesmo) comer menos (cortar ou reduzir grupos alimentares) com o intuito de emagrecer. É também a definição da neurocientista Sandra Aamodt no livro dela. O livro ainda não existe em português, mas esse vídeo da neurocientista Cláudia Feitosa-Santana traz informações parecidas. Além disso, vou acrescentar outra camada nessa definição, que é minha e está relacionada com a minha experiência: dieta restritiva para mim, além de cortar ou reduzir, envolve sentir que estamos lutando contra a gente mesmo, com sofrimento, culpa, ansiedade e vontade enorme de comer o que estamos nos proibindo e rotulando como errado. Então, dieta restritiva é também ficar resistindo à tentação e à vontade de dizer sim para algum tipo de comida (seja ela real, viva, natural ou inventada, industrializada, empacotada, enlatada). Para mim, dieta restritiva é restrição, escassez e prisão. Do corpo, da mente e da alma. Foi isso que senti durante 20 anos, então essa é a definição que ofereço aqui.

Muitas pessoas conhecem a palavra dieta como significado de alimentação, o que comemos no dia-a-dia. Sim, esse significado é possível, mas não é o que estou falando aqui. A palavra dieta, para mim, tem uma conotação ruim, então prefiro chamar o que como no dia-a-dia de plano alimentar, ou alimentação. Dieta está ligada, na minha cabeça, ao que mencionei aí em cima: restrição, proibição e escassez.

Outra coisa que acho importante mencionar é que eu sempre quis viver um estilo de vida em paz e focado numa alimentação natural – cozinhar mais e consumir alimentos vivos, cheios de energia e saúde. Essa sempre foi a minha vontade, porque eu acho que cuidando de mim e da minha saúde em todos os níveis do meu ser, eu consigo contribuir para um mundo melhor. E eu queria fazer isso em paz, sabe? Com vontade de comer esse tipo de alimento, porque aí sim eu seria livre! Se eu escolhesse e tivesse vontade de cuidar de mim também no nível do alimento para que eu pudesse viver uma vida mais rica, mais equilibrada, mais saudável em todos os níveis do meu sistema, aí sim eu seria verdadeiramente livre.

Eu acho que liberdade é querer fazer o que devo fazer para chegar onde quero. Essa é a melhor definição de liberdade para mim. 

Querer comer de forma que eu tivesse mais vitalidade, energia e saúde era, e sempre será, meu objetivo. Eu tenho uma meta de vida, a maior de todas: eu quero viver até os 120 anos bem, saudável e contribuindo para um mundo melhor e mais abundante. Quero ajudar pessoas a se libertarem e se expressarem de maneira mais autêntica para que elas deixem sua singularidade de presente ao mundo e para que elas construam e contribuam para o nosso planeta. Para isso acontecer eu preciso cuidar de mim, e para cuidar de mim eu preciso querer cuidar de mim (porque fazer na força de vontade não é sustentável!!) e preciso me amar profundamente. E me amar profundamente significa, para mim, me respeitar, me conhecer, me valorizar, me aceitar em toda minha imperfeição, e me alimentar com amor e carinho. E acima de tudo ser autêntica e conhecer profundamente meus diferenciais para que eu possa contribuir. O que entra para dentro do meu sistema, o “combustível que coloco no meu carro” precisa ser limpo, e não “adulterado”, para que eu tenha a energia e saúde necessárias para “continuar rodando”. Faz sentido?

Uma coisa é importante deixar claro: a minha mudança não foi em alimentação em primeiro lugar. A mudança na alimentação foi consequência de uma mudança muito mais profunda – a de mentalidade e de identidade. Quem eu era, como pensava e qual meu relacionamento com o alimento. O que veio depois (o novo relacionamento com a comida, o estilo de vida e os 50kg emagrecidos) foi consequência de um trabalho profundo dentro de mim! Descobertas intensas, às vezes muito doloridas, que me levaram de volta à mim. Foi quando decidi assumir e conhecer quem verdadeiramente era que tudo começou a mudar.

É por isso que não considero a maneira com que escolho comer hoje como dieta restritiva. Não faz sentido na minha cabeça, porque não corto nem reduzo nenhum grupo alimentar (comida de verdade!!) e nem sofro morrendo de vontade de comer os industrializados que antes eram constantes na minha vida. Não como porque não quero mesmo. Tenho vontade de comer os alimentos que como hoje e escuto meu corpo profundamente. Para quem passou 20 anos escrava da comida e do pensamento exaustivo de querer comer, mas “não poder”, isso que vivo hoje é libertação total e absoluta. É paz e felicidade. Não troco por nada do mundo, porque finalmente sinto que me encontrei e me encontro a cada dia que se passa. Era uma consequência natural na minha cabeça: eu me descobri para me amar e cuidar de mim melhor.

E a minha vontade maior, a minha contribuição para esse mundo, é de mais saúde e mais propósito para todos, porque aí podemos identificar nossas qualidades e singularidades para contribuir com um mundo mais abundante e melhor. A gente vive nesse planeta, portanto a nossa contribuição pode ser global! E para isso, precisamos estar saudáveis em todos os níveis do nosso sistema, precisamos de bem-estar mental, físico, emocional e espiritual. Porque aí sim deixaremos nossa contribuição de maneira clara e com propósito. E tudo isso começa com um primeiro passo, um passo pequeno e extremamente relevante, a libertação da escassez e da prisão imaginária imposta por muitos de nós a nós mesmos. Precisamos nos libertar para crescer, contribuir e mudar!

Vai muito muito mais além do alimento! É bem-estar sistêmico, é amor, é saúde, é contribuição, é construção de um mundo onde podemos viver mais plenos e mais autênticos, com menos foco em escassez e muito mais abundância. É libertação, é valorização, é aceitação, é incluir – não excluir. É uma revolução global e começa aqui, dentro da gente. O que vem como consequência disso, acredite em mim, é transformador.

Liberte-se. Cuide-se.

Descubra-se.

O que te separa da libertação e da mudança sustentável

By | Artigo

Uma coisa, uminha só, só uma coisinha te separa da libertação e da mudança que quer gerar na sua vida. Não, espera, exagerei. Não é uma coisa só não – se fosse todo mundo estaria livre e mudado – mas é uma coisa extremamente importante como um primeiro passo a ser dado constantemente. Aí sim é uma coisa só.

Eu passei 20 anos num efeito sanfona forte antes de conseguir emagrecer 50kg naturalmente e definitivamente. O momento inicial que chamo de libertação aconteceu quando percebi essa uma coisa (calma, já estou chegando lá) e isso me ajudou a me livrar de dietas restritivas de uma vez por todas.

É o seguinte. Segue aqui o raciocínio comigo. Imagina que você é um carro e que dentro de você existem dois motoristas. Um motorista é responsável por notar as coisas que deixarão sua viagem mais agradável e o que te fará mais feliz e satisfeito. É ele que coloca aquela música que você gosta no rádio, é ele que abre as janelas para sentir a brisa gostosa vindo de fora e é ele que é responsável pelo seu conforto de uma forma geral. Ele é movido à recompensas, ou seja, coisas que te deixarão satisfeitos e farão a sua viagem não só segura, mas um prazer enorme.

O outro motorista é responsável por se atentar aos perigos da estrada. Ele está sempre alerta enquanto monitora o ambiente e as informações ao seu redor a todo momento. É ele que te avisa onde, no que e como prestar atenção com objetivo final de sobrevivência. É ele que percebe se algum animalzinho indefeso está atravessando a estrada ou se a luz avisando que algo pode estar errado no motor acendeu. Ele é movido à ameaças e quando ele percebe alguma que pode colocar sua vida em risco, é ele que assume a direção.

O primeiro motorista é atento e vigilante, mas focado em prazeres e conforto. O segundo também é atento, mas “hipervigilante”, focado em ameaças e se assusta facilmente. Ele é nervoso, apavorado e tende a desesperar com mais facilidade. E o grande problema dele é que, quando percebe algo que julga perigoso (sendo real ou imaginário, não importa), ele reage muito mais intensamente que o primeiro motorista. Perdendo o controle e ficando nesse estado por mais tempo. Costuma ser até difícil, dependendo do susto que ele tomou, trazê-lo de volta ao estado normal. E como ele reage tão mais intensamente que o outro, as experiências que representam risco de vida para ele tendem a parecer mais forte para você, porque ele é – um pouquinho – mais desesperado.

Para que o segundo motorista se desespere não precisa de muita coisa. Alguém que está ativamente procurando ameaças vai se desesperar até com algo que parece ameaça, concorda? Pois ele é assim. Nem adianta explicar que no mundo de hoje, com os carros modernos de hoje, a probabilidade de ameaça caiu muito. Não adianta. Poupe sua voz, porque ele não vai acreditar. O trabalho dele é apenas um: te salvar da morte. E para fazer isso ele não poupa esforços e acha melhor prevenir que remediar, por isso entra em pânico até com a mais vaga possibilidade de ameaça.

Tudo bem, ele pode ser, como disse, um pouquinho desesperado demais, mas ter alguém ali responsável pela sua sobrevivência não é algo que podemos reclamar tanto, né? Afinal de contas esse é o propósito de vida dele!

Pois bem, até aqui tudo certo? Você está comigo? Muito bom. Digamos então que esse segundo motorista perceba uma ameaça (real ou imaginária, não importa para ele) e entre em pânico berrando e gritando dentro do carro desesperado com a morte iminente e quase certa (na percepção dele). O que ele faz? Tudo para te proteger, inclusive acionar o airbag – e ele fez questão de instalar o sistema mais completo de airbags já vistos pela humanidade! Dependendo das ameaças, ele dispara todos ao mesmo tempo, como proteção.

E essas ameaças, como comentei ali em cima, podem ser qualquer coisa. Desde uma formiga atravessando a rua como um carro vindo na contramão na sua direção. Não importa, ele reagirá da mesma forma, especialmente se aquela ameaça já tiver acontecido antes. Aí sim é que ele dispara mesmo, nem pensa duas vezes, na mesma intensidade e proporção da última vez que encontrou aquela possível morte pelo caminho no passado.

O desafio é que, enquanto ele está nesse estado, você (o carro) não funciona da melhor forma possível e a sua habilidade de tomar as melhores decisões de como agir nesse momento de pânico estão prejudicadas. A sua memória é reduzida e, por isso, não consegue lembrar ou decidir que atitude tomar para resolver o problema, e a sua performance no geral cai também. Você começa a fazer o que pode com o pouco que tem. O caos está instalado, o seu controle está perdido, você tende a responder negativamente a tudo que acontece, arrisca menos, presta menos atenção, pode fazer conexões de pensamentos e ideias onde não existem nenhuma e se ficar nesse estado por longos períodos de tempo (ou quase sempre) pode prejudicar imensamente a sua saúde (do carro) como um todo.

Antes de continuarmos, tenho uma observação à fazer. A boa notícia é que podemos treinar, com prática e constância, o segundo motorista a entender melhor as ameaças controlando assim suas reações e se mantendo vigilante e tranquilo pela maior parte do tempo – existe uma linguagem toda especial para comunicar com ele e é possível aprender!! A má notícia é que nem todo mundo sabe disso ou quer aprender essa linguagem, infelizmente.

Ok, volta aqui. Essa observação não é assunto para agora. O que quero saber é se você está comigo ainda, se estamos na mesma página, se está me entendendo. Sim? Agora então faça uma troca de palavras do texto: troque carro por sistema (corpo/mente), troque ameaça de morte por dieta restritiva e airbag por excesso de peso. O que percebeu? Vamos lá, eu explico.

Toda vez que o motorista que é responsável pela sua sobrevivência (sim você tem um motorista no seu cérebro para fazer só isso) percebe a ameaça de morte, nesse caso a dieta restritiva, ele entra em pânico e começa a acionar os airbags, nesse caso o excesso de peso. Porque ele sabe, aprendeu com seus ancestrais e praticou durante muito tempo, que toda forma de escassez e restrição pode levar à sua morte. Ele sabe que restringir ou cortar comida da sua alimentação pode eventualmente te levar a morrer de fome. Lembre-se, o papel dele é detectar ameaças de morte e ele é MUITO atento à duas ameaças principais: fome e temperatura. O que ele não sabe é distinguir entre ameaça real ou imaginária, isso não importa para ele. Ele não consegue entender que você decidiu fazer uma dieta por motivos de querer diminuir o excesso de peso e que não vai morrer. ATENÇÃO, vou repetir: ele NÃO ENTENDE que a decisão de ficar com fome foi racionalmente tomada por você e que você tem a plena consciência que não vai morrer. Para ele qualquer ameaça é sinal de alerta e ele está ali super atento e vigilante para, a qualquer momento, disparar aqueles airbags (aumentar o acúmulo de gordura no corpo). E para ele a dieta restritiva é uma ameaça real de morte.

O mais interessante é que existe uma forma de reprogramar ou realinhar a comunicação com esse motorista e fazer com que ele se sinta seguro o suficiente para não disparar os airbags por qualquer motivo. Uma dessas formas, e aqui volto no comecinho do texto, e a principal diferença que você fará para ele, é se livrar de dietas restritivas. Remover essa ameaça de uma vez por todas para que ele tenha uma coisa a menos para se preocupar.

E se libertar dessas dietas é um processo – especialmente para pessoas que, como eu, passaram anos e anos recorrendo à isso. Requer atenção, cuidado, ajuda de profissionais adequados, constância e muita vontade de fazer acontecer. Pode ser confuso, às vezes, e pode ser frustrante também. Mas à medida que você troca a escassez pela abundância, a fome pela nutrição e as crenças limitantes pela expansão de modelo de mundo, você começa a perceber novos (e mais seguros) caminhos e ajuda seu motorista a relaxar um pouco mais e a perceber que existem formas de seguir dirigindo sem precisar interpretar tudo como ameaça. E o melhor: sem precisar acionar os airbags, porque você está seguro.

Então, da próxima vez que estiver escolhendo sua dieta restritiva da vez (e ela normalmente vem em forma de alimentação, atitudes e/ou pensamentos de escassez), lembre-se do seu motorista e saiba que ele está atento às ameaças para te salvar. A mentalidade de escassez é uma dessas ameaças e ele vai reagir aumentando as reservas de gordura no sistema. Escassez é desnecessária, cruel e muito ineficaz (a não ser que você queira ficar em estado de alerta e sofrimento constante e engordar no final, aí é bem eficaz!). Existem outros caminhos e novas possibilidades. Busque os seus com orientação.

Descubra-se.


Referências bibliográficas (teoria baseada na neurociência):

Your Brain at Work de David Rock
The Gabriel Method de Jon Gabriel

A prisão das dietas restritivas e o real motivo do excesso de peso

By | Artigo

O cenário era sempre o mesmo: depois de um imenso período de privação e sofrimento vinha um de compulsão e confusão. Esse era o efeito das dietas restritivas que me forcei viver durante quase 20 anos da minha vida.

O ciclo hoje é claro para mim. Eu julgava meus dias em “bons” ou “ruins” de acordo com as decisões que fazia com relação ao que comeria naquele dia – e se aquelas decisões ou “metas” tinham sido cumpridas ou não. Eu preciso ilustrar o que era, para mim, um dia típico dos que vivi frequentemente durante 20 anos.

Acordar era um processo doloroso, tanto porque queria muito ficar na cama – por tudo que estava vivendo e passando – quanto porque assim que abria os olhos o primeiro pensamento que tinha era comida. Eu não consigo colocar em palavras a sensação que é viver escrava do que chamo de compulsão de pensamentos, de pensar em comida a cada 5 minutos do dia. De lutar contra minha vontade de ir no supermercado comprar tudo que queria comer e comer escondida para que o olhar das outras pessoas não pesasse ainda mais a culpa que sentia por estar fazendo aquilo tudo.

Alguns dias eram piores que outros. Eu me sentia exausta com todos aqueles pensamentos e as atitudes que eles geravam. Eu lembro de vários episódios onde sentava na cama, a respiração superficial, e deixava as lágrimas descerem de tristeza, frustração e uma sensação enorme de não saber o que fazer. Morria de medo daquela prisão ser a minha condenação para o resto da vida, porque tinha “nascido com problema”. Mesmo hoje sabendo que é absolutamente possível quebrar esse ciclo, durante 20 anos foi assim que me senti: como se tivesse que lutar para sempre contra mim mesma. Como se tiver que me lutar desesperadamente para manter a cabeça acima d’água e não afogar.

Eu vivia em eterno conflito dentro de mim. A comida era, ao mesmo tempo, fonte de acolhimento e alívio e um inimigo a ser enfrentado todos os dias. Em épocas que estava buscando alívio, acolhimento e segurança, a comida era eternamente presente no meu dia – normalmente em momentos em que estava sozinha (a vergonha era demais para deixar os outros me verem comendo). Em épocas que estava lutando contra o inimigo, alguma dieta restritiva da moda estava presente e eu estava sofrendo a “eterna batalha” por “ter um defeito” desde o dia do meu nascimento – não é verdade, mas era assim que me sentia.

Eu não sabia na época, mas o inimigo não estava dentro de mim, nem na minha vontade de comer, nem na minha necessidade de acolhimento ou segurança, muito menos em algum “defeito de nascimento”. O inimigo, o que estava causando tudo aquilo e o que me levava a pensar constantemente em comida, era a dieta. Sim, a dieta.

Contraditório falar isso quando vivemos num mundo em que a dieta é um estilo de vida automático. Se quer emagrecer, faz o quê? Dieta. Se quer emagrecer. Se quer emagrecer e manter com a sensação de que fez as pazes com você mesma e que transformou sua vida de dentro para fora, aí é hora de pensar em outra estratégia, porque a dieta está te engordando e aprisionando.

E foi depois de 20 anos – 20 anos! – que comecei a pensar que estava fazendo a mesma coisa (dieta restritiva) esperando resultados diferentes (emagrecimento, manutenção, solução definitiva do meu problema e paz). Mas se aquela estratégia não estava funcionando, o que funcionaria?

Deixa eu falar uma coisa: toda vez que quebramos um paradigma desse tamanho (libertação de dietas restritivas para o corpo e mente) existe um estado de confusão que se segue. E se conseguimos chegar nesse estado de confusão é porque nossa busca começou. E a minha tinha iniciado quando finalmente comecei a perceber que estava fazendo a mesma coisa esperando resultado diferente. Quando comecei a perceber que talvez a culpa não fosse minha (eu não era incompetente em emagrecer, manter e mudar minha vida), mas sim da estratégia que eu estava usando.

Não se engane! A prática de dieta restritiva te coloca num ciclo vicioso (e estado de alerta negativo para o cérebro) que hoje vejo claramente, olha só: nos períodos de “não-dieta” vivia em constante ansiedade e tinha episódios de compulsão alimentar e de pensamento, esses episódios geravam muita culpa e sofrimento, quando essa culpa ficava intolerável eu escolhia a dieta da moda para “dar um jeito na vida”. Seguia com aquela dieta com sofrimento também, tentando usar a força de vontade a cada passo que dava. Mas força de vontade é recurso limitado (precisamos usá-la com moderação e estratégia) e quando a dieta ficava intolerável, porque estava exausta de toda aquela restrição (e porque, talvez, já tinha emagrecido o suficiente e merecia minha comida/minha liberdade de volta) chutava o balde e voltava a estaca zero. Normalmente chegando à um peso maior do que quando tinha iniciado o ciclo. Foi sempre assim. Durante 20 anos.

Quando finalmente consegui perceber esse padrão de comportamento, comecei a questionar profundamente minhas escolhas e a situação que vivia e tinha vivido nos últimos anos. Entendi que não era a comida em si, nem a dieta, nem meu corpo que era “meu inimigo”. Era um passo antes de tudo isso: alguma coisa estava acontecendo dentro de mim e começava na minha cabeça. Eu precisava achar a causa de toda aquela minha dificuldade com peso, alimentação, cuidado comigo mesma e saúde. E essa resposta não estava na dieta da moda, nem na dieta que me deu mais resultado no passado, nem na mídia que pegava o meu sofrimento, reembalava e me vendia em forma de solução mágica. A resposta estava dentro de mim. Eu só precisava fazer três coisas como primeiro passo: me libertar de dietas restritivas, começar a me escutar/conhecer e me nutrir com abundância – mente, corpo, coração e alma.

E para isso eu precisaria escolher o caminho menos percorrido e ter a coragem de embarcar numa jornada de autoconhecimento e, muitas vezes, confusão. Seria uma jornada que transformaria minha vida de uma forma que nunca tinha imaginado e me ajudaria a me resgatar, reconhecer e amar. Como se eu estivesse dormindo durante esse tempo todo (funcionando puramente no piloto automático) e, de repente, acordasse para um mundo cheio de cores e absolutamente encantador! Valeu cada segundo e faria tudo de novo se precisasse.

Descubra-se.

O mundo de dentro para fora

By | Artigo

Eu andei pelo mundo, durante muitos e muitos anos, no piloto automático no escuro. Vivia um padrão de comportamento do tipo: algo me incomodava, eu olhava para a infinidade de estratégias na minha frente, escolhia uma que nem sabia se fazia sentido para mim e testava. Vivia na tentativa e erro, tentando e testando para, quem sabe, achar uma que funcionasse na sorte. Fiz isso durante muito tempo. Quando queria (tentar) resolver um problema, saia ansiosa e desenfreada à busca de uma solução mágica que, com sorte, eu acharia na primeira tentativa. Nunca achei solução mágica. E olha que passei 20 anos procurando, hein?

Era como se alguém tivesse falado para mim: “antes de pular nessa piscina imensa que é o mundo, toma aqui seu manual. Lê, interprete e aprofunde-se nele para saber para onde nadar, como navegar e o que fará sentido para você.” E sabe o que eu fiz? O que a maioria das pessoas faz com todos os manuais de verdade: ignorei. Nem cogitei a possibilidade de ler. Nem quis saber o que tinha escrito ali. Nem entendi que eu tinha um manual. Saí instintiva e intuitivamente (apenas) tentando fazer sentido do “produto”. E às vezes estragava ou não percebia características e cuidados importantes e únicos que precisava ter. Normalmente, não queremos nem saber: vai logo, abre logo, funciona logo, tenta logo, vai de qualquer jeito, usa mesmo sem saber como, testa, tenta, vai no escuro mesmo. Anda! Gasta dinheiro, tenta, quem sabe funciona? Escuta o conselho do outro (que nem entende do seu “produto”), faz isso, mexe aqui, toma essa dica, anda! Tá meio estragado por mal uso? Compra essa solução aqui. Não funcionou? Toma essa, e mais essa, e mais essa! Gasta seu tempo, seu dinheiro, sua energia! Vai no escuro mesmo, a vida é assim, anda!!!

Mas ler o manual mesmo, nada, né?

Pois é. Passei 20 anos nessa. Sem nem entender que eu tinha um manual. E nesses 20 anos o que senti mais frequentemente foi frustração. Como se eu tivesse que fazer um esforço enorme para nadar contra a corrente para o resto da minha vida. Tentando manter minha cabeça acima da água para sobreviver. É exaustivo.

Um dia, ao tentar intuitivamente usar um produto aqui em casa, escutei do Ricardo, que me observava na entrada da cozinha:

– Você sabe que se fizer isso que está prestes a fazer você queima esse aparelho e estraga para sempre, né?
– Sério?! Como você sabe isso?!
– Eu li o manual.

Eu fiquei meio sem reação. Que solução simples e óbvia, né? Muito mais prática, economiza muito mais tempo e dinheiro. Ler o manual. É isso!! A partir de então comecei a ler os manuais dos produtos que compramos aqui. Todos. Descobri coisas que nunca imaginaria que aqueles produtos faziam. E descobri também as maneiras mais práticas e sustentáveis de manter a “saúde” e atingir o potencial daqueles produtos que comprava. Um mundo de possibilidades se abriu diante de mim. Parece exagerado demais, né? Não é. É exatamente isso!

E é aí que a minha analogia começa – ou continua. Eu descobri que também tenho um manual – o manual do meu sistema, desse ser humano que sou. Vivi a vida durante muito tempo sem saber disso, no piloto automático, mas quando descobri e li (e continuo lendo e me aprofundando nele até hoje e para sempre), o mundo passou a fazer mais sentido. Eu não saio mais dando tiro no escuro, tentando e testando ferramentas e estratégias que não fazem sentido para ver se alguma resolve meu problema. Eu tenho um manual!! Eu sou capaz de olhar para dentro hoje, conhecendo um pouquinho mais da minha essência a cada dia, e fazer as escolhas que fazem sentido para mim, porque sei o que importa, qual meu propósito, o que quero, como funciono. Sei e continuo aprendendo todos os dias. E isso faz toda a diferença.

“Um estudo [Herwig and Waszak, 2012] mostra que, quando estiver passando por noites nubladas e tempestades, quando nem sabe se consegue ver alguma solução para o problema, o que precisa fazer não é olhar para estímulos [estratégias] externos. O que precisa fazer é conectar-se com a intenção [sua essência, seu manual], porque, como mostra o estudo, se você conecta com sua intenção [essência] quando está perdido, você é capaz de lembrar mais precisamente ações passadas e suas consequências [o que fez e o que funcionou ou não para você]. E fazer isso é muito mais poderoso do que simplesmente se conectar com o que está acontecendo externamente [estratégias externas]. Então, quando estiver nessa jornada de onde está hoje para onde quer chegar e se perder, olhe para dentro.” Srini Pillay, MD, Harvard Medical School.

Conecte-se com a sua essência. Faz muito mais sentido partir de dentro para fora, o mundo fica mais colorido, mais nítido, menos assustador. É por isso que acredito em nos validar, reconhecer e conhecer. Agir de acordo com o que e quem somos e acreditamos – nossos valores mais profundos que nos guiam. É preciso descobrir o nosso manual, ele é único e revela coisas maravilhosas! As possibilidades são infinitas quando partimos de dentro para fora.

Descubra-se.

Sobre as soluções mágicas

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Vem comigo, vamos fazer um passeio. Um passeio pelo mundo mágico das soluções fáceis, únicas e rápidas. Onde emagrecer 50 quilos tem a ver com aquela dieta milagrosa, ou algum trauma do passado que identifiquei e instantaneamente resolveu meu problema. Ou um ajuste no meu estilo de vida igual ao que vi alguém fazendo por aí, mas que nem sei se faz sentido para mim. Ou então uma ferramenta revolucionária que descobri e que, com certeza, só por ter descoberto essa ferramenta eu já mudarei – nem terei que colocar nada em prática e testar e crescer e caminhar. Não! Essa é mágica mesmo. Tão mágica que só de saber dela a gente muda.

Vamos fazer um passeio por esse mundo mágico das soluções fáceis e milagrosas. Continua comigo aqui, porque aqui é assim: quer mudar de carreira? Não se preocupe. Te dou uma ferramenta que transformará sua vida do dia para noite. Você nem vai precisar sofrer com questionamentos, dúvidas sobre sua capacidade ou escolha, medo e emoções tão profundas que às vezes até refletem no corpo também. Não! Você vai mudar magicamente. Sem esforço, sem dedicação, sem medo, sem investimento de tempo, sem problema nenhum. Afinal não é isso que estava procurando minha vida inteira? A mudança milagrosa? A solução mágica? Nesse mundo, a lei do menor esforço é a que comanda tudo.

Foi num dos meus passeios por esse mundo, onde vivi durante quase 20 anos, que ouvi alguém falando de uma terapeuta que trabalhava com hipnose. Na mesma hora meus olhos brilharam e minha cabeça começou a delirar com a “solução mágica” que eu tinha encontrado. No auge do meu desespero – e do meu peso – eu achava que essa pessoa, com essa terapia, poderia me hipnotizar como nos filmes para colocar na minha cabeça a ideia que eu tinha feito cirurgia bariátrica. (!!!!) No desespero e dor profunda que eu me encontrava, alguém me oferecia mais uma porta naquele mundo fantástico e do outro lado estaria uma única coisa que mudaria minha vida. Que sensacional seria eu fazer cirurgia sem fazer cirurgia e emagrecer magicamente! A melhor de todas as soluções, não?

Não. Eu fui na terapeuta. Eu me senti tão mal quando ela olhou para mim, no peso que eu estava, e disse: “por que você não troca uma torta de chocolate por uma gelatina diet” ou ainda “o que seu marido deve pensar disso, hein?” ou ainda “não dá para te hipnotizar dessa forma, a hipnose não funciona assim”. Das três coisas mais marcantes que ela me falou nos únicos dois encontros que tive com ela antes de desistir, a última foi a verdadeira. Aprenderia muito tempo depois – junto com a PNL – que a hipnose é uma ferramenta excelente para mudança e ajuda, e que ela definitivamente não funciona como nos filmes. É muito mais séria que isso e requer a participação e entrega de quem está passando por ela. Descobri que ela não é solução mágica, é mais uma estratégia que posso usar quando fizer sentido durante a minha caminhada. Só isso. E tudo isso.

E enquanto passeava por esse mundo mágico olhando para fora em busca de soluções, eu me perdia de mim. E me perder de mim, para mim, significava engordar e me esconder – me cobrir, literal e figurativamente. E quanto mais eu me cobria, mais eu me perdia nesse mundo louco. Andava como se estivesse sempre olhando para aquela cenoura na frente do cavalo, sabe? Aquela isca que me prometia mundos e fundos, mas que nunca conseguia alcançar. Esse mundo magicamente cruel, onde aprendemos que solução e conquista se dão do dia para a noite e que, se estamos sofrendo, devemos estar fazendo alguma coisa errada. Andava sem rumo por ali, como andei durante 20 anos.

O que aconteceu foi que, pela minha busca e questionamentos, no final desses 20 anos cheguei no limite desse mundo. Ali, naquela plaquinha visível de “volte sempre ao mundo mágico”, no estilo das que vemos quando saímos de alguma cidade na estrada, sabe? Eu me encontrei ali, na frente daquela placa, contemplando o outro lado e pensando se realmente estava pronta para deixar esse mundo para trás. A coragem e vontade de atravessar aquela placa, de sair do mundo mágico das soluções milagrosas, precisa ser grande. Do outro lado a lei não é do menor esforço, é do maior. O maior esforço bem direcionado, planejado e pensado. E a lei não é só uma, são várias, e às vezes bem confusas. Para você conseguir o que quer nesse mundo real pode ser que precise tentar, testar, errar e aprender com os erros, lidar com frustrações, medos, questionamentos sobre sua capacidade, descobrir seus pontos fortes e encarar seus pontos fracos, encontrar seus valores, o que tem de mais importante nessa vida para você, lidar com traumas, com vontades, com tristezas, com tempestades, com felicidades, com confusão e desorganização. Precisa se desafiar, traçar uma rota de ação e AGIR. Precisa agir consistentemente com o esforço, dedicação e atenção necessários para perceber e ajustar seus planos ao longo do caminho.

Nesse mundo real, onde a lei do menor esforço nem é lei e muito menos existe, é preciso aprender lidar com o sofrimento e “sofrer bem”, ou seja, de uma maneira que te eleve e eleve aquelas pessoas à sua volta. Porque quando “sofremos bem” temos a oportunidade de crescer, de aprender e de ajudar. Nesse mundo real é preciso ter resiliência, inteligência emocional e autoconhecimento. E tudo isso é construído passo a passo durante a jornada. Nesse mundo não existe instagram para te dizer o quanto sua vida mudou magicamente de uma hora para outra e o quanto o outro é feliz e bem-sucedido sem esforço nenhum, magicamente. Nesse mundo o lema é: se quer construir algo que vale a pena descubra-se, aja estrategicamente de acordo com o que faz sentido para você e mude de forma sustentável. Tenha garra e coragem e saiba se acolher e se amar, porque quando a “coisa ficar feia” é saber se tratar com carinho, compaixão e amor que vai sustentar todo seu projeto de vida.

Ah! E mais uma coisa. Nesse mundo, onde os sonhos são conquistados com dedicação e ação consistente, RESPONSABILIDADE é a palavra-chave. Porque aqui ninguém pode te impedir de fazer o que deve e deseja para mudar sua vida. Ninguém está no seu caminho. O caminho está livre para você fazer as escolhas que quer. E para isso é preciso entender que somos responsáveis por nossas ações e estamos no controle das nossas vidas. Nós decidimos qual passo dar e assumimos total responsabilidade pelas consequências sem nos vitimizar, reclamar ou culpar o outro. Nós assumimos a responsabilidade das decisões que tomamos para tornarmos nossos sonhos realidade.

Esse é o mundo das grandes mudanças sustentáveis. Mudanças que são construídas por nós mesmos, um passo de cada vez, errando, acertando e aprendendo só para errar de novo e melhor. E olha, se você chegou até aqui comigo, eu desejo que você atravesse aquela plaquinha de “volte sempre ao mundo mágico” sem nem olhar para trás e nunca mais volte lá. Porque esse mundo aqui vale a pena, a construção do seu sonho vale a pena. É nesse mundo que a sua energia e tempo serão aproveitados de maneira mais positiva e construtiva e é nesse mundo que você crescerá e se reconhecerá. É aqui, nesse lugar caoticamente maravilhoso, que sonhos são CONSTRUÍDOS e não revolvidos com um passe de mágica. Atravessa a plaquinha! Eu te encontro do lado de cá.

Descubra-se.

Sobre minha história

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*Foto por Laura Fabrini

Sou ser humano e seres humanos são complexos. E de forma complexa, numa conversa de quase uma hora, contei parte da minha história – que ficou eternizada em forma de artigo de uma página inteira no jornal.

De ontem para hoje fiquei tocada com a quantidade de mensagens recebidas. Fiquei feliz e triste. Fiquei apreensiva e esperançosa. Começo a criar um espaço para falar de cuidado, de carinho, de reconhecimento, de amor. De uma jornada profunda de autoconhecimento e ação que geram mudanças sustentáveis. Começamos a criar uma comunidade de pessoas que buscam mais, que vão além, que estão dispostas a entender que emagrecimento é consequência de mente/corpo saudáveis.

E por isso venho aqui hoje contar um pouco sobre o que eu acho que é ter mente/corpo saudáveis. Para mim, não tem a ver com um número na balança, não tem a ver com pele, gordura ou tamanho de roupa. Para mim tem a ver com coragem, com descoberta, com felicidade de morar dentro de você, com profundidade. Emagrecer e manter, se é isto que você busca, é consequência!

Me perguntaram como eu fiz para emagrecer, me pediram ajuda, me contaram histórias. Eu não fiz nada “para emagrecer”, eu fiz para me descobrir, para entender meu relacionamento com comida, para entender meus valores, meus sonhos, meus “traumas”, minhas vontades, meus desesperos, e minha força para me encontrar. Eu não fiz “reeducação alimentar”, eu fiz uma viagem para dentro de mim. Eu me conheci e reconheci e quando isso aconteceu eu me DEScobri.

Passei 20 anos tratando gordura como causa dos meus problemas. Gordura não foi causa de coisa nenhuma na minha vida! Passei 20 anos engordando e emagrecendo achando que meu corpo não colaborava comigo. O que descobri é que a mente faz parte do corpo também e que mente/corpo são um sistema só. Quando parei de querer achar solução mágica para emagrecer e fui cuidar de mim, as coisas começaram a mudar.

Comecei me libertando da prisão que era obedecer regras e padrões ditados pelos outros. Não queria mais escassez. Faltava tudo na minha vida: tempo, felicidade, realização, reconhecimento… faltava tudo e eu ainda queria que faltasse comida?! Tentei 20 anos dessa forma, não funcionou. Quando me libertei de tudo isso – dieta, balança, regras – me libertei também da escassez. Me libertei. Decidi então começar a adicionar e nutrir corpo e mente. Corpo/mente. Corpomente. Um sistema só. Então eu lia muito, pesquisava muito, testava muito e adicionava muitos nutrientes na minha comida.

Passei 2 anos assim: me conhecendo sozinha e vagarosamente. E voltando a cuidar de mim em todos os sentidos. Antes de começar isso, cheguei a pesar quase 110kg. Depois que comecei não pesei mais durante muito tempo – fui descobrir só depois desses 2 anos que tinha emagrecido 25kg nesse período. Nesses 2 anos balança não importava. Minha saúde mental/física importava muito mais. Ao longo desses 2 anos, me formei em Programação Neurolinguística, um título complexo para algo simples. Para mim, a PNL é a ciência do como. Como chegar onde quero chegar, como me descobrir, como adquirir comportamentos melhores e mais respeitosos à mim, como ser feliz. É isso.

Depois de formar em PNL, resolvi montar um projeto para mim com todas as ferramentas que aprendi lá. Para a segunda fase da minha descoberta. E em 6 meses eu emagreci os outros 25kg. Foi rápido porque eu estava preparada corpo/mente. Foi rápido porque eu me conhecia e agia da forma que fazia sentido para mim. Foi rápido porque eu sabia claramente o que queria – e era muito mais que um número na balança! E apesar disso ser apenas um pedaço da minha história, o emagrecimento me deu base para ver que tudo é possível na mudança de comportamento e que se o sonho for profundo e coerente o suficiente, teremos a coragem e disposição de fazer acontecer.

Formei em Coaching, porque queria organizar todas aquelas ferramentas da PNL para ajudar outras pessoas. E tenho uma missão: através de conexão, comprometimento, dedicação, propriedade e leveza quero gerar e experimentar plenitude, felicidade, orgulho, amparo e reconhecimento ajudando os outros. Essa história aí é minha e eu agora posso ajudar pessoas que buscam uma mudança de vida mais profunda, mais sustentável e mais respeitosa. Com abundância e coragem.

Então se você está disposto, vem comigo, porque a sua caminhada vale à pena. Conhecer a sua história, os seus valores e a sua essência te levará à lugares que nunca imaginou.

Do fundo do coração: descubra-se.

Ah, se quiser ler a matéria completa, está aqui.

Esperando inspiração

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“Esperar inspiração para agir é como ficar no aeroporto esperando um ônibus.” -Leigh Michaels

Sabe aquela vontade de esperar um pouco mais? Estudar um pouco mais? Melhorar um pouco mais antes de colocar a mão na massa e agir? Aquela “necessidade” de ficar pensando e criando mil estratégias para, aí sim, colocar os planos em movimento? Pois é, tenho notícias: as condições nunca serão ideias e esperar por elas é simplesmente praticar procrastinação.

Quantos dias, semanas e anos eu passei esperando a “hora certa”? Será que eu estava mesmo esperando a hora certa ou estava tentando encontrar uma boa razão para ficar na zona de conforto? É interessante essa resistência que às vezes tenho para agir.

Muito dela, falo pela minha observação nos últimos dias, acontece porque imagino que tenho que conquistar aquele objetivo enorme do dia para a noite e ele então se torna um monstro e me paralisa. Fico ali olhando para o desafio e pensando: será que encaro? Por isso resolvi fazer uma análise baseada num dos maiores desafios que enfrentei na minha vida – emagrecer 50kg naturalmente.

E quando faço essa análise, uma coisa me chama atenção (chamar atenção é delicado demais, na verdade essa coisa me GRITA a atenção): um objetivo tão grande como esse é construído com alguns elementos-chave, sendo dois deles um passo de cada vez e a frequência em dar esses passos.

Quando alguns clientes de coaching me questionam sobre como chegar no objetivo que parece tão gigantesco e impossível, eu sempre lembro história que li de Arnold Schwarzenegger. Quando estava envolvido com fisiculturismo, o objetivo dele era ser o melhor do mundo, tão bom que seria sempre lembrado por isso. Ele passava horas e horas treinando todos os dias, sessões de 4 a 5 horas, e estava sempre sorrindo e de bom humor. Quando questionado sobre isso, ele respondeu:

“As pessoas sempre me perguntaram porque eu sorria. Outras pessoas estavam com a cara emburrada ou com raiva de terem que fazer outra série ou mais uma repetição. Mas eu ficava ansioso por isso, por fazer o treino. Por quê? Porque eu sabia que cada repetição que fazia, cada série que completava, com cada peso que levantava, eu estava um passo mais próximo de fazer da minha visão uma realidade.”

E quando olho hoje para esse objetivo tão grande que conquistei, percebo que passei exatamente por isso. E ainda passo. Por isso os meus resultados na área de saúde são tão bons, porque consegui – com ferramentas, conhecimento e ação – combinar entusiasmo e empolgação com consistência e dedicação. Um passo de cada vez todos os dias. *
(E olha que isso vem de uma pessoa que odiava a ideia de ter que fazer exercício físico e hoje é completamente apaixonada! E não foi por sorte que isso aconteceu, eu estudei e agi para isso! Eu queria desesperadamente encontrar felicidade e prazer em cuidar de mim mesma e consegui. Com ferramentas, estratégias e consistência.)

E poder falar e reconhecer esse fato me conforta por dois motivos: 1) entender que sou o exemplo de transformação e conquista para mim mesma e que posso usar essa fórmula em outras áreas da minha vida e 2) saber que tenho propriedade, ferramentas e muito conhecimento para ajudar as pessoas com quem tenho a honra de trabalhar e conviver. *
Cada um de nós possui histórias de superação, conquista, iniciativas transformadoras e todos nós temos todos os recursos que precisamos para agir. Se ainda não tenho os resultados que gostaria, pode ser que as estratégias não estão otimizadas para que eu consiga chegar lá. A ideia é se conhecer e reconhecer os passos dados. Porque aquela repetiçãozinha que faço na academia hoje pode não significar nada se ficar por ali mesmo, mas imagina o tamanho da conquista que terei se ela for feita todos os dias por meses e meses, anos e anos?

Um passo de cada vez. Executável. Todos os dias.

Desejo força, coragem e ação. Para mim e para você que chegou até aqui junto comigo.

Descubra-se!

Sobre o medo

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“É disso que você se esconde – o ruído na sua cabeça que te diz que não é boa o suficiente, não está perfeito, que poderia ter sido melhor.” -Seth Godin

Hoje acordei com medo. Medo de não dar certo, de não conseguir, de não ser relevante ou boa o suficiente. Medo de agir. Quando isso acontece eu chamo de “momento vida real”, aquele que a gente enfrenta, sabe? Aquele momento em que tudo parece demais (a palavra em inglês é overwhelming) e quando a sensação te toma de um jeito que a vontade é de parar a montanha russa da vida e pedir para descer. Já passou por isso?
*
Pois é. Hoje acordei com medo. E por coincidência – ou não – estou lendo um livro sobre produtividade querendo montar um projeto para aumentar a minha. E olha que esses meus projetos são bons, hein? O último que montei me rendeu 50kg a menos! Enfim, estava lendo esse livro quando me deparo com esse capítulo de Seth Godin.
*
Questionado sobre porque trabalhamos duro à curto prazo, mas ainda assim, muitas vezes, não conseguimos atingir nossos objetivos maiores e o que fazer para alinhar os dois, Seth Godin disse:
*
“A razão pela qual você pode estar tendo problemas com seu objetivo a longo prazo é quase sempre medo.
*
O medo, a resistência, é muito traiçoeiro. Não deixa muitas pistas. Mas alguém que, por exemplo, consegue fazer um curta-metragem que agrada imensamente todo mundo, mas não consegue levantar dinheiro suficiente para fazer um longa, ou uma pessoa que pega freelas aqui e ali e não consegue descobrir como transformar isso no seu trabalho principal – essa pessoa está se prejudicando.
*
E essa pessoa se prejudica, porque a alternativa é se colocar no mundo como alguém que sabe o que está fazendo. Ela tem medo que, se fizer isso, será vista como fraude. É incrivelmente difícil se levantar durante uma reunião formal de diretoria, ou uma conferência, ou apenas em frente aos seus colegas e dizer: ‘Eu sei como fazer isso. Aqui está meu trabalho. Levou um ano. Está excelente.’
*
Isso é difícil por duas razões: 1) te expõe à críticas, e 2) te coloca no mundo como alguém que sabe o que está fazendo, o que significa que amanhã você também precisa saber o que está fazendo, e você acabou de se inscrever para uma vida inteira de ‘saber o que está fazendo’. É muito mais fácil lamentar e se prejudicar e culpar o cliente, o sistema e a economia.”
*
O que eu fiz para lidar com o medo? Fiz algo diferente: agi. Grant Cardone uma vez disse algo que vai ficar marcado comigo para sempre e que, finalmente, estou conseguindo aplicar. Quando a mulher dele comentou que ele parecia não ter medo de nada, ele respondeu mais ou menos assim: “não é verdade. Eu tenho medo constantemente! Mas para mim, o medo é um indicativo de onde devo ir. Eu lido com esse dilema eliminando o fator ‘tempo’ da equação, já que é ele que promove o medo. Quanto mais tempo dedicar ao objeto da minha apreensão, mais ele se torna forte. Portanto ajo antes que ele possa tomar conta de todo meu sistema!”
*
E sabe de uma coisa? Em inglês algumas pessoas dizem que FEAR (medo) significa False Events Appearing Real (eventos falsos parecendo reais). E não é que quando olho para trás na minha vida percebo que poucos dos meus “monstruosos” medos se tornaram realidade? Poucos ou nenhum. Medo é, na grande parte, provocado por emoções, que são frutos do nosso foco e atenção.
*
Portanto em vez de me paralisar dessa vez, eu agi. Agi com medo mesmo, como fiz bravamente tantas outras vezes na minha vida. E quer saber? Hoje vou dormir em paz.

Sobre a vida

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“Vida é o que acontece enquanto você está ocupado fazendo outros planos.” -John Lennon

Eu era o tipo de pessoa que passava pela vida sem respirar, preocupada com tudo e fazendo mil planos. Hoje eu entendo que viver nesse “futuro incerto” me gerou muita ansiedade e estresse e que, se eu quisesse estar presente na minha própria vida, teria que aprender a lidar com isso.

Esse conceito de estar presente, atento, vivendo o momento era meio esquisito para mim. Não sabia por onde começar. Eu achava tudo mágico, mas estava meio perdida. E enquanto tentava entender, me coloquei em movimento, fui atrás de respostas.

Foi com essa caminhada, essa minha descoberta de mim mesma, onde me vi 50kg mais magra e mais consciente da minha vida, que percebi uma vontade de estar ainda mais presente.

Nas últimas semanas tenho aprendido e praticado, todos os dias, o que é esse conceito de mindfulness, de estar presente, de entender que a vida é o que acontece com a gente quando estamos lá fazendo outros mil planos. E de perceber que não preciso mais usar frases do tipo “quando eu chegar lá, aí sim isso vai melhorar/resolver/mudar minha vida.”

Para mim, a resposta não estava (e não está) no momento em que me percebi 50kg mais magra, as respostas estavam (e estão) na caminhada, no processo, no momento, na presença, nos obstáculos que nos fazem crescer. O crescimento, a transformação e a vida estão na descoberta de mim mesma e nos pequenos passos que dou diariamente.

Não foi melhor só quando cheguei lá, foi bom sempre e ainda bem que vivi isso, que estava presente para esses momentos da minha caminhada onde me descobri e continuo me descobrindo.

Autoconhecimento é um maravilhoso caminho sem volta. Descubra-se!

Sobre agir consistentemente

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Na correria da vida muitas vezes não desacelero para perceber meu progresso e minhas conquistas. Marcho em frente com determinação e, às vezes, medo. Algumas vezes só apontando erros, furos e insatisfações da vida no momento presente. Esqueço que só estou aqui por uma série de conquistas e passos que dei – simples e pequenos. Esqueço o tanto que já conquistei e o tanto que ainda tenho para conquistar. Esqueço de reconhecer. Às vezes.

Quando comecei a segunda fase do meu projeto descoberta – o que me ajudou a emagrecer 50 quilos naturalmente – eu pulava corda. Pulava corda mal. Mal mesmo, mal de verdade. Tão mal que não conseguia ficar 15 segundos completos pulando. Eu errava, tropeçava ou cansava – ou todas as três opções ao mesmo tempo.

Alguns dias atrás pulei corda de novo e fiquei surpresa como minha capacidade e resistência tinham melhorado. E, como acontece comigo algumas vezes, comecei a pensar em várias coisas. Quando foi exatamente o dia que meu condicionamento físico melhorou? Quando foi que aprendi a levantar mais peso e aguentar treinos mais puxados? Quando foi o dia exato, a hora exata que eu consegui e soube mais? Quando foi o dia exato que aprendi a pular corda?

Medir o progresso a curto prazo às vezes é meio complicado. Quando vou para a academia e volto para casa, se olho no espelho o que aconteceu? Nada. E no dia seguinte, se fizer a mesma coisa, o que aconteceu? Nada. Então devo pensar que, claramente, isso não traz resultado e as únicas soluções são passar horas na academia para ver se muda alguma coisa ou desistir, certo? Errado.

Se acredito que existe algo que faz sentido ali e me comprometo a fazer o que é preciso para chegar lá, posso até escorregar uma algumas vezes ou tropeçar ao longo do caminho, mas se persistir com consistência começarei a ver os resultados do meu investimento mesmo sem saber exatamente o dia que isso vai acontecer.

“É a prática diária de todas as coisas pequenas, às vezes chatas e monótonas, que importa de verdade.” Simon Sinek

Não é uma questão de intensidade, é uma questão de consistência. Não adiantaria eu pular corda durante 10 horas num dia só. Eu preciso me dedicar por algum tempo até começar a perceber os resultados. Não adiantava eu achar que precisava emagrecer para ir numa festa e ficar uma semana fazendo jejum ou comendo alface. Isso não é sustentável! A festa vai passar, mas se eu construí algo sólido, se acredito que existe algo por trás que faz muito mais sentido para mim, se me descobri e me represento nas coisas que me dedico, aí sim confio. Aí sim a mudança vale a pena, aí sim a construção tem outro significado. Aí sim começo a perceber os resultados.

As grandes conquistas são construídas em pequenos passos. Simples. Todos os dias. Mesmo que algumas ações pareçam não levar à lugar nenhum. Mesmo que não consiga perceber os resultados imediatos, quando sei exatamente onde quero chegar, me planejo e ajo diariamente. E, de repente, como num “passe de mágica”, aqueles 15 segundos de corda viram 1 minuto e eu descubro o quanto caminhei.

Descubra-se!

Sobre o medo

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Hoje acordei com medo. Medo de não dar certo, de não conseguir, de não ser relevante ou boa o suficiente. Medo de agir. Quando isso acontece eu chamo de “momento vida real”, aquele que a gente enfrenta, sabe? Aquele momento em que tudo parece demais (a palavra em inglês é overwhelming) e quando a sensação te toma de um jeito que a vontade é de parar a montanha russa da vida e pedir para descer. Já passou por isso?

Pois é. Hoje acordei com medo. E por coincidência – ou não – estou lendo um livro sobre produtividade querendo montar um projeto para aumentar a minha. E olha que esses meus projetos são bons, hein? O último que montei me rendeu 50kg a menos! Enfim, estava lendo esse livro quando me deparo com esse capítulo de Seth Godin.

Questionado sobre porque trabalhamos duro à curto prazo, mas ainda assim, muitas vezes, não conseguimos atingir nossos objetivos maiores e o que fazer para alinhar os dois, Seth Godin disse:

“A razão pela qual você pode estar tendo problemas com seu objetivo a longo prazo é quase sempre medo.

O medo, a resistência, é muito traiçoeiro. Não deixa muitas pistas. Mas alguém que, por exemplo, consegue fazer um curta-metragem que agrada imensamente todo mundo, mas não consegue levantar dinheiro suficiente para fazer um longa, ou uma pessoa que pega freelas aqui e ali e não consegue descobrir como transformar isso no seu trabalho principal – essa pessoa está se prejudicando.

E essa pessoa se prejudica, porque a alternativa é se colocar no mundo como alguém que sabe o que está fazendo. Ela tem medo que, se fizer isso, será vista como fraude. É incrivelmente difícil se levantar durante uma reunião formal de diretoria, ou uma conferência, ou apenas em frente aos seus colegas e dizer: ‘Eu sei como fazer isso. Aqui está meu trabalho. Levou um ano. Está excelente.’

Isso é difícil por duas razões: 1) te expõe à críticas, e 2) te coloca no mundo como alguém que sabe o que está fazendo, o que significa que amanhã você também precisa saber o que está fazendo, e você acabou de se inscrever para uma vida inteira de ‘saber o que está fazendo’. É muito mais fácil lamentar e se prejudicar e culpar o cliente, o sistema e a economia.”

O que eu fiz para lidar com o medo? Fiz algo diferente: agi. Grant Cardone uma vez disse algo que vai ficar marcado comigo para sempre e que, finalmente, estou conseguindo aplicar. Quando a mulher dele comentou que ele parecia não ter medo de nada, ele respondeu mais ou menos assim: “não é verdade. Eu tenho medo constantemente! Mas para mim, o medo é um indicativo de onde devo ir. Eu lido com esse dilema eliminando o fator ‘tempo’ da equação, já que é ele que promove o medo. Quanto mais tempo dedicar ao objeto da minha apreensão, mais ele se torna forte. Portanto ajo antes que ele possa tomar conta de todo meu sistema!”

E sabe de uma coisa? Em inglês algumas pessoas dizem que FEAR (medo) significa False Events Appearing Real (eventos falsos parecendo reais). E não é que quando olho para trás na minha vida percebo que poucos dos meus “monstruosos” medos se tornaram realidade? Poucos ou nenhum. Medo é, na grande parte, provocado por emoções, que são frutos do nosso foco e atenção.

Portanto em vez de me paralisar dessa vez, eu agi. Agi com medo mesmo, como fiz bravamente tantas outras vezes na minha vida. E quer saber? Hoje vou dormir em paz.

Descubra-se!

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Eu era o tipo de pessoa que passava pela vida sem respirar, preocupada com tudo e fazendo mil planos. Hoje eu entendo que viver nesse “futuro incerto” me gerou muita ansiedade e estresse e que, se eu quisesse estar presente na minha própria vida, teria que aprender a lidar com isso.

Esse conceito de estar presente, atento, vivendo o momento era meio esquisito para mim. Não sabia por onde começar. Eu achava tudo mágico, mas estava meio perdida. E enquanto tentava entender, me coloquei em movimento, fui atrás de respostas.

Foi com essa caminhada, essa minha descoberta de mim mesma, onde me vi 50kg mais magra e mais consciente da minha vida, que percebi uma vontade de estar ainda mais presente.

Nas últimas semanas tenho aprendido e praticado, todos os dias, o que é esse conceito de mindfulness, de estar presente, de entender que a vida é o que acontece com a gente quando estamos lá fazendo outros mil planos. E de perceber que não preciso mais usar frases do tipo “quando eu chegar lá, aí sim isso vai melhorar/resolver/mudar minha vida.”

Para mim, a resposta não estava (e não está) no momento em que me percebi 50kg mais magra, as respostas estavam (e estão) na caminhada, no processo, no momento, na presença, nos obstáculos que nos fazem crescer. O crescimento, a transformação e a vida estão na descoberta de mim mesma e nos pequenos passos que dou diariamente.

Não foi melhor só quando cheguei lá, foi bom sempre e ainda bem que vivi isso, que estava presente para esses momentos da minha caminhada onde me descobri e continuo me descobrindo.

Autoconhecimento é um maravilhoso caminho sem volta. Descubra-se!